
Ontem teve lançamento do novo livro de Agualusa por aqui, "As mulheres do meu pai". Ainda não comecei. Estou guardando para ler no avião, na volta. Pelas primeiras linhas me parece mais um brilhante exercício de imaginação. Nesse período aqui, já li boa parte da sua obra e o que eu mais gosto em seu estilo, consistente e sempre inventivo, é a capacidade de criar personagens e nos fazer acreditar nelas profundamente. É quase como ler uma biografia de alguém real. E para potencializar esse dom de convencimento, Agualusa faz questão de inserir, em notas de rodapé, dados, fontes, datas relativas a ações dessas personagens. Essa tecnica é levada ao extremo em "Estação das chuvas", seu livro de 96, onde somos impelidos a submergir na história de Lidia do Carmo Ferreira, que se confunde com a própria história de Angola. O transporte no tempo é imperativo e instantâneo. Impressionante também é, em "O vendedor de passados", a maneira como ele, não contente em "iludir" o leitor, faz o mesmo com uma personagem, que engana a si própria com a história que ela inventou e na qual ela acredita cegamente. Ou seja, ele nos faz crer numa história que não é de ninguém...na personagem da personagem. Uma mentira absurda na qual mergulhamos de cabeça prazeirosamente. Espero muito desse livro, mas, por hora, me atrevo apenas a exibir orgulhosamente a dedicatória que ganhei.