
Para nossa alegria, mais pessoas vão poder conhecer um pouco da praia do Sangano. É que estamos mais uma vez no Viajenaviagem. Quem quiser conferir é só clicar aqui.
Barra do Kwanza, Sangano e Miradouro da Lua. Mais alguns lugares espetaculares para conhecer aqui em Angola. Já estava na hora…Depois de ter ficando em casa no domingo anterior e, consequentemente, sem muito assunto e fotos para um novo post aqui, ontem foi possível dar uma descontada. Valeu muito a pena.
Bem, fotos não dão a dimensão do que é esse lugar. Teria que ser uma puta câmera, com uma puta lente e, óbvio, clicada de um helicóptero. Mas infelizmente a viagem não conta com patrocínio para essa super produção.
Ontem eu dormi pensando que apesar da distância dos grandes centros, todas as dificuldades de acesso e a qualidade da banda larga, que não ajuda, nunca ouvi tantos sons legais e diferentes quanto nesse curto período que estou aqui. Nessa jornada, a música tem sido companhia fundamental e cada vez mais presente em todos os momentos. Não falo só de música angolana, que estou apenas começando a conhecer - tendo cuidado para separar o joio do trigo para não enterrar o pé no terreno movediço do "exótico" -, mas de todo tipo de música. Tenho a sorte de trabalhar em uma sala onde todos ouvem, gostam de conhecer e de trocar novos sons. E isso, de certa forma, ajuda a deixar o ambiente mais tranquilo e faz o trabalho faz fluir com mais leveza.
Um cara que eu tenho ouvido muito é Just Jack. Recomendo e sei que vai, em breve, fazer a cabeça de muita gente. O álbum Overtunes, recém lançado, é pop e é perfeito. O cara não se apega muito a nenhum estilo e passeia por várias influências. São melodias solares com letras muito boas. Os hits são I talk Too Much, Life Story e a sensacional Mourning Morning. Outra descoberta, que para muita gente já é “das antigas”, mas para mim é novidade é Lokua Kanza. Ele nasceu no Congo, tem profundidade musical, estudou os clássicos, já tocou no Brasil e faz músicas de uma beleza impressionante, como Kumba Ngai e Sallé. É ouvir e levitar. Junto com esses, tenho ouvido muito também bandas como Glass Candy, Professor Genius, Boss AC (de Cabo Verde, muito bom) e, do Brasil, The Twelves e Kassim +2. Tem tudo no soulseek, no emule e no myspace.
Junto com a música os livros. E depois de “Quem me dera ser onda”, um livro-quase-um-conto leve e divertido do angolano Manoel Ruy, quem está mandando no criado mudo agora é o “O outro pé da sereia”, do escritor moçambicano Mia Couto. A profundidade e beleza da sua narrativa cheia de poesia e de imagens desconcertantes e a capacidade de inverter o pensamento do leitor, fazendo-o olhar de outro ângulo situações corriqueiras, estão me impressionando muito. Sem contar que a história dos personagens é mesmo sensacional: a relação de Mwadia, que tinha “corpo de rio e nome de canoa” e Zero, que tem em seu pescoço cicatrizes que ele diz serem guelras, herança da metade de sua alma que é peixe. Nessa história, aculturação, crenças antigas, mistérios de serias e padres, busca da identidade cultural e referências à colonização africana se misturam num romance que, com certeza, merece todos os prêmios que vem ganhando. Altamente recomendado.
De volta à África pela primeira vez.
De volta à África pela primeira vez.